segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Reflexões sobre "homens feministas" e auto-estima

Já aviso que nesse post não vou dar nomes aos bois. Não quero que fofocas cheguem até aqui e como dizem em internetês: entendedoras e entendedores entenderão.

Há alguns dias eu estava lendo um blog feminista de muito sucesso. A blogueira (chamaremos de A) relatava um caso envolvendo um blogueiro/colunista famosão (chamaremos de B) e uma das leitoras desse blogueiro (chamaremos de C). O blogueiro B escreveu um post se declarando feminista e a leitora C ficou encantada, aplaudiu e decidiu mandar uma mensagem para o moço. Essa mensagem virou uma conversa. B começou a assediar C (de acordo com o relato de C, que a blogueira A fez questão de publicar). No começo, C ficou meio desconfortável com o assédio, mas por várias razões ela acabou cedendo a esse assédio.

Bom, o post-relato da blogueira A chegou em um ponto, reunindo informações, que concluía que o blogueiro famosão B curte assediar mulheres por aí. Não sei de que forma esse assédio se dá ('oi você é muito linda' ou 'oi, prazer em conhecê-la, quero te comer'), mas assédio é horrível de qualquer maneira. Também não entendi muito bem se era assédio propriamente dito. Não sei se o cara simplesmente "jogava o verde" educadamente e se ele julgasse que a moça correspondia, ele então continuava. Mas aparentemente ele mandava fotos do pênis dele e nem preciso dizer o quanto isso é de mal gosto.

Enfim, parece que o blogueiro famosão B curte assediar mulheres indiscriminadamente. E ele curte assediar mulheres casadas (ele curte saber que outro sujeito está sendo traído, aparentemente ele tem uma tara com isso). Não vou julgar, tem quem curta, tem quem tenha um relacionamento aberto, etc. Mas no final da história, C concluiu que B era um cretino. Opinião dela e que merece ser ouvida.[1]

E qual é meu ponto? Bom, com essa história toda, cheguei a duas importantes conclusões e pretendo falar sobre elas aqui.

A primeira delas é: mulheres, não acreditem em tudo o que vocês leem ou ouvem. Repetindo o óbvio: mulheres, não acreditem em tudo o que vocês leem ou ouvem. Se o sujeito se diz feminista ou escreve um texto se declarando feminista, não significa que ele realmente seja. Falar qualquer papagaio fala, como diziam os antigos. E escrever qualquer um escreve, basta ser funcionalmente alfabetizado. Acontece que as pessoas nem sempre falam e escrevem coisas com sinceridade. Mulheres, os homens estão na política há milênios. Eles aprenderam a dissimular interesses para adquirir co-religionários. Fiquem espertas!

O homem feminista não precisa falar que é feminista ou escrever um texto feminista para isso. A propósito, não é todo mundo que gosta de escrever sobre qualquer assunto. E o protagonismo não é nosso? Ué, se o protagonismo é nosso, porque se derreter toda vez que vê um cara se dizendo feminista? Que fique claro, não to dizendo que todo blogueiro que se diz feminista é um cretino mentiroso, não é isso. O que quero dizer é que há homens se dizendo feministas apenas para COMER VOCÊS. Faz algum tempo que tenho observado esse fenômeno. Numa leitura superficial, parece que isso é muito bom. Mas o que quero dizer é que há homens fingindo ser feministas, vestindo camisetas, bradando lemas feministas e na verdade eles estão apenas FINGINDO. E na verdade são muito, mas muito escrotos. São completamente o oposto do feminismo. São na verdade machistas, babacas pedantes que querem te dizer em que situação você é oprimida, manipuladores, etc. Por isso, cuidado!

Por outro lado, existem vários carinhas legais que não se declaram feministas mas seguem ideais feministas. Alguns porque não tem familiaridade com o termo. Outros porque talvez não achem relevante ficar bradando isso (porque consideram isso óbvio e/ou não querem falar da opressão dos outros). Existem carinhas que foram bem educados pelos seus pais, que tiveram mães independentes, que sabem respeitar o próximo e que estão abertos para imergir no mundo do outro. Não é isso que é um relacionamento: um parceiro entra no mundo do outro parceiro e vice-versa?

Quando conheci meu marido, ele já tinha ideais feministas mas não falava em feminismo. Acho que ainda hoje ele não chama de feminismo, talvez porque não ache relevante. E eu também nem conhecia feminismo na época em que eu o conheci, não conhecia como movimento, quero dizer. Até aí, tem vários movimentos feministas no campo, no mundo todo, que não usam o termo feminismo, mas trabalham com o empoderamento das mulheres. 

Meu marido aprendeu muita coisa comigo, ouvindo o que falo sobre o assunto. E eu aprendi várias coisas com ele também. A evolução da consciência e do conhecimento não é algo pronto. É algo construído. E nessa construção, a sociedade, a família, os amigos e os parceiros amorosos tem muita importância.

Então a primeira conclusão é: não caia de amores por um sujeito apenas porque ele se diz feminista. Ainda mais hoje, na internet, onde é possível se dizer expert ou se declarar militante de qualquer coisa. Avalie outras coisas que o cara escreveu, saiba mais sobre ele, saiba mais sobre os amigos e a família dele. Observe. Muitas vezes, observando por menos de 10min nas redes sociais a gente já sabe qual é a do sujeito. Não ignore sua intuição! 

Meu segundo ponto é: trabalhe para o crescimento de sua auto-estima. E ajude no crescimento da auto-estima de suas amigas, irmãs, colegas de trabalho, mãe, tias, etc. Cerque-se de pessoas positivas, valorize seus pontos mais fortes, leia bastante, estude, sempre busque conhecimento e auto-conhecimento. Não continue o círculo vicioso das mulheres que gostam de criticar a aparência/roupa/corpo/cabelo das colegas de trabalho. Sabe aquela sua colega de trabalho tímida, que anda com os ombros caídos e não fala com ninguém? Dê bom dia, seja gentil, se aproxime. Elogie! Realce os pontos positivos! Muitas mulheres gostam de maquiagem, combine um dia em seu condomínio ou escritório para fazer algumas horas de beleza. Várias empresas de cosméticos oferecem esse tipo de consultoria. Claro que a gente não precisa de maquiagem para nos sentirmos bonitas, mas uma maquiagem bem feita pode realçar a beleza e ajudar na auto-estima das mulheres. Outras sugestões: organize aulas de pilates, ioga, idiomas, clube de leitura, artesanato, etc. Qualquer atividade que proponha o espírito de grupo e estimule a evolução pessoal é bem vinda! 

Repetindo: corte o círculo vicioso das críticas sobre a aparência das suas amigas/colegas. Elimine isso. Se alguma colega vier fazer qualquer comentário sobre uma terceira colega, ignore-a. Deixe claro que você não acha isso legal. E tenha certeza que quem faz esse tipo de crítica sobre os outros para você, faz de você para os outros. Se não conseguir educar, tire essa gente tóxica de seu caminho.

Ame-se! E cerque-se de amor, dê amor, dê carinho para as mulheres que estão próximas. Ajude a criar e a amplificar uma onda de muita auto-estima e positividade. Isso pra mim é o máximo da sororidade. Elogie e incentive o trabalho das outras mulheres, dê sugestões boas e gentis. 

A auto-estima elevada é importante porque na minha opinião, se você se ama e está feliz na própria pele, não vai se envolver com tranqueira. Vai atrair pessoas bacanas, de mente aberta, positivas e dispostas a te ouvir, te respeitar e te amar do jeito que você é. Quando estamos com a auto-estima elevada, nosso radar fica mais ligado e nossos níveis de exigência sobem. Acredito que com a auto-estima lá em cima, a gente fica menos susceptível a se envolver com homens que não nos amam de verdade. [2]

"E lembre-se: Se você não se ama, de que jeito vai amar outra pessoa?"


A intenção desse post não é parecer um tratado de auto-ajuda. Mas do fundo do coração, se eu puder ajudar alguma mulher com esse desabafo, vou ficar imensamente feliz.

E que fique claro que não quero julgar nenhuma mulher que eventualmente tenha caído na lábia de um cara que mentiu, manipulou e enganou. Muitas mulheres (inclusive eu, já que estou escrevendo o texto) já fomos manipuladas. Um dia a gente aprende, começa a enxergar as coisas e passa a querer ajudar outras mulheres. E esse é o meu objetivo!


*****
[1] Deixei toda a primeira parte do texto marcada assim porque aparentemente não entendi a história direito. E quer saber? Acho que entendi o necessário, não quero e nem preciso me aprofundar nesse tipo de conversa. Desde o início, quando escrevi esse texto hoje pela manhã, eu sabia que eu não sabia de todos os detalhes. Por isso usei "talvez" tantas vezes. Também não quero questionar a vítima, nem sei direito o que aconteceu e a vítima merece ser ouvida sim, sempre.

O ponto principal desse texto - e talvez algumas pessoas não tenham entendido direito, pelo que me falaram - é que eu usei o que eu sabia superficialmente do ocorrido para falar sobre homens que usam o feminismo para "pegar mulher" e de como nós precisamos alimentar nossa auto-estima, todos os dias. E sobre como nós podemos aumentar a auto-estima das mulheres que nos cercam. Para mim ficou claro que essa é a mensagem principal do texto, independentemente dos detalhes do que aconteceu. Tanto que nem citei nomes, para que a mensagem do texto não ficasse em segundo plano.

E sinceramente, as pessoas ficam "endeusando" figuras da internet. Isso é horrível, não se deve colocar ninguém em um patamar. Quando o forninho cai, as decepções são terríveis.

[2] Sim, eu acredito no amor, seja ele amor romântico, platônico e etc. Também tem o amor eros, o sexo e etc. Acho que qualquer relacionamento entre duas pessoas tem que envolver amor sim. E não falo apenas de amor romântico, talvez no sentido "amplo completo e burguês da coisa rs". Para mim, respeito é uma forma de amor. E se duas pessoas vão se relacionar apenas por uma noite, curtição, tem que haver esse respeito. O tal amor ao próximo, tão falado por Jesus. É, sou clichêzona, demodê, tradicional, pode me chamar do que quiser rs. 

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