quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Nivelando por baixo.

Hoje comentei que não gostaria de ser operada por esses médicos e então uma moça no twitter disse que "eu não deveria generalizar, porque em toda profissão tem gente boa e ruim...." bocejos.

Sério mesmo? Será que eu sou tão estrupícia que não sei de uma obviedade dessas? Será que sou tão idiota que não sei que em uma determinada profissão qualquer (seja ela qual for)  existem pessoas boas e pessoas ruins? Para começar, será mesmo que eu estava generalizando no que disse? E se estava, será que a generalização foi proposital, intencional ou foi apenas uma hipérbole?

O fato é que qualquer pessoa um pouco mais esclarecida (e nem precisa de muito) SABE que em um grupo qualquer de pessoas tem gente que trabalha bem e gente que não honra o que faz. É MUITO MUITO MUITO GRITANTEMENTE ÓBVIO. Então porque a moça veio chamar a minha atenção? Por que ela se sentiu ofendida? Por que ela acha que eu sou idiota? Não sei, sinceramente. Mas acho que nivelar as pessoas por baixo faz parte da nossa cultura.

Por isso que a previsão do tempo apresentada na TV é tão superficial. A previsão do tempo apresentada nos telejornais da Globo (emissora com maior audiência) é comandada por uma mulher bonita e magra (e que claro, que de preferência siga os padrões de beleza eurocêntricos, salvo uma rara exceção que me lembro) que fala por menos de 2min e muito rapidamente e sem nenhuma substância e que mal explica os fenômenos meteorológicos. A plástica perfeita e o tal "padrão globo de qualidade" que visa sobretudo a aparência são mais importantes que o conteúdo. O brasileiro, em geral, é visual. E provavelmente, dentro das redações, há discussões sobre "como vamos explicar isso para as pessoas, é muito complicado". 

 E não só a previsão do tempo. Qualquer informação científica é tratada com o mesmo descaso pelos jornalistas. A propósito, não entendo porque tem que ser um jornalista. Eu posso escrever sobre ciência no meu portal. Um astrônomo, um físico, um biólogo ou qualquer outro profissional também poderia. Basta apenas ter afinidade com a escrita e quanto mais se escreve, melhor ela fica. Mas os portais, sites de notícia e redações preferem contratar jornalistas, como se eles fossem uma espécie de profissional polivalente que pode falar sobre tudo. Acontece que nem todo jornalista tem afinidade com ciência ou economia, por exemplo. Entrevistam pessoas e muitas vezes mal sabem o que devem perguntar para elas. Simplesmente porque não tem afinidade com o assunto. Tudo é feito nivelando por baixo. 

Agora vou entrar em um terreno polêmico: doações de caridade. Vista a carapuça apenas se servir, mas já ouvi pessoas que dizem que vão montar uma cesta básica para uma família carente, mas não tem problema, compram do arroz mais baratinho mesmo, porque pobre não tem paladar exigente ou coisa do tipo. Lamentável, isso para mim não é caridade. Caridade é amor, é você comprar coisas que você consumiria em sua casa. É repartir e não dar migalhas. Sei que o assunto é polêmico e cada um deve ajudar os outros da melhor maneira possível (e cada um tem seu melhor, sua disponibilidade, sua opinião e suas condições financeiras particulares).  No entanto, não posso achar normal essa coisas de nivelar por baixo. 

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