sexta-feira, 6 de junho de 2014

Velho nojento.

Começo o post com um aviso bem óbvio, mas é bom lembrar: em algumas situações, não é prudente agir mediante cantadas na rua. Mas as vezes podemos agir sim e devemos!

Antes de narrar o que aconteceu comigo, gostaria de linkar esse vídeo. O que aconteceu aqui foi bem simples: a moça, chamada Yasmin, cansou de ser assediada pelo mesmo cara todos os dias. E resolveu reagir. Só que quando ela reagiu, demonstrou todo seu preconceito de classes, algo que infelizmente está bem banalizado em nossa sociedade.

Se eu aplaudo Yasmin?  Pela coragem, sim, mas ela não soube executar. Ela demonstrou uma face opressora, da mulher branca de classe média que também oprime. Ela combateu uma faceta do machismo com opressão de classes, o que foi péssimo.

Eu reagi hoje. E também demonstrei uma face minha que não gostaria de admitir.

Eu estava na rua, movimentada, quando um senhor passa do meu lado e me chama de delícia. Por senhor, entenda que ele era bem mais velho do que eu, algo em torno de uns 60 anos.

Eu parei, comecei a gritar enfurecidamente dizendo que uma hora alguém ia acabar quebrando a cara dele. Também disse que ele era nojento e repugnante. Ele me chamou de mal educada. Ameacei com mais violência e ele até recuou assustado. Além das ameaças violentas, repeti que ele era nojento. Mas então eu disse velho nojento.

O cara meio que fugiu assustado (duvido que ele esperava isso de mim, logo eu que tenho essa carinha meiga risos). Todos na rua começaram a olhar, inclusive as pessoas do outro lado da rua, numa enorme fila no ponto de ônibus. Eu segui meu caminho como se nada tivesse acontecido. Ponto positivo pra mim aqui! Eu não chorei, não me descontrolei, meu coração nem saiu do ritmo. No passado, eu gritaria chorando. Hoje não sou mais assim. Só que todos os pontos negativos do mundo quando disse velho nojento.

Sim, existe preconceito de idade e ele é muito forte. Talvez por ficar tão revoltada com homens de meia idade, devido suas atitudes normalmente machistas, eu tenha adquirido uma espécie de ódio internalizado, um asco. Só que do jeito que falei, pareceu que achei que a condição de nojento e inerente a condição de ser velho. E talvez, subconscientemente, eu pense assim. Infelizmente. Porque ainda sou relativamente jovem.

E eu já sou considerada velha, por muitos homens de 20 e poucos. Costumo dizer que para a internet já sou velha. Ora, quem não morrer envelhece. E eu quero envelhecer. E eu odiaria que me chamassem de velha nojenta.

Acabei de chegar em casa (esse acontecimento que narrei aconteceu não faz 1h). E fiquei pensando nesse preconceito de idade, do qual certamente serei vítima. Vou me lembrar do dia que chamei o cara de velho nojento. Eu me sinto um pouco mal, embora orgulhosa de minha reação. Eu preciso mudar isso dentro de mim. E preciso aprender novas ofensas.

Infelizmente pouca gente compreende klingon.

Um comentário:

  1. Da próxima vez exerça seu instinto de sobrevivência (ou contra estupro) de modo politicamente correto ha ha ha!

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