quinta-feira, 12 de junho de 2014

Bancos confundindo pobres!

Bom, vou contar algo que presenciei e fiquei muito revoltada.

Tenho uma amiga que trabalha com jardinagem. Ela tem filhos e ganha pouco menos de R$900,00. Bom, o pai dos seus filhos mais velhos paga pensão e ela vive com o segundo marido, pai do mais novo, que também está empregado. Tudo isso para dizer que ela não vive na pobreza absoluta, mas tem que apertar bem o orçamento.

Acontece que minha amiga não sabe ler direito. Também não é boa em matemática. E os bancos aproveitam-se de pessoas com essas dificuldades, fruto da exclusão social. Ela não estava entendendo o extrato bancário e eu estava explicando. Quando vi, eram juros em cima de juros, porque o banco ofereceu a ela um limite incompatível com sua renda. Todos os meses ela estava gastando muito acima do que ganha. Acontecia o seguinte: ela não percebia que a conta dela estava R$200,00 no negativo. Ela ia lá e sacava R$900 reais, pois é o que ela ganha. Então todos os meses ela ficava no negativo e isso virou uma grande bola de neve, com juros em cima do cheque especial. Além disso, também havia uma dívida de uns R$500,00 no cartão de crédito.

Eu não consigo entender porque o banco oferece esses serviços de crédito para pessoas que não tem dinheiro e/ou conhecimento necessário para utilizá-lo. O banco oferece e sequer explica para o correntista. Quer dizer, eu consigo entender sim: lucro. Simples assim.

Bom, então a instituição bancária decidiu fazer uma "caridade" com ela, que de caridade não tem nada. Somaram a dívida dela, deu R$700,00. Mas arredondaram para R$800,00, que bonzinhos que são. Então fizeram um empréstimo, com 12 parcelas de uns R$112,00 mais ou menos. E dessa forma ela pagaria a dívida. Economistas podem dizer que isso é legal, eu não me importo, pra mim isso é agiotagem. Por que se minha amiga não conseguir pagar essas 12 parcelas ou atrasar alguma delas, terá juros acrescidos. E isso pode descontrolar ainda mais o já apertado orçamento dela.

Ah sim, e para completar ela recebia um débito de R$50,00 mensalmente de sua conta e ela não sabia o porquê. Foi quando ela descobriu que tratava-se de um seguro para sua conta. Ela não lembra de ter contratado esse seguro, mas o funcionário do banco disse que ela assinou isso quando abriu a conta. Pra mim aproveitaram-se dela. E qualquer um está sujeito a isso, porque eles dão um calhamaço de papel para assinarmos quando abrimos uma conta. E algo pode passar desapercebido. Ok, você que está lendo esse texto e eu somos plenamente alfabetizados. Agora pensem em alguém que não é, que não consegue ler um texto e precisa dos amigos para ajudar nessa tarefa... pois então. Minha amiga disse que infelizmente não foi a única. Outros colegas que trabalham com ela na empresa de jardinagem passaram pela mesma coisa.

E além disso ainda há uma taxa mensal de R$20,00 para manutenção da conta. Mas pelo amor, não existe um banco popular? Um banco com taxas menos abusivas ou livre de taxas para certas operações? Um banco com funcionários que expliquem que quando as pessoas sacam no Banco 24h, há taxas? 

Se ela fosse rica, teria uma agência prime/estilo/etc, qualquer coisa que a separasse do restante da população. Teria gerentes de relacionamento dedicados a sua conta, que levariam café e fariam até uma dancinha. Mas por ser pobre, tem funcionários sobrecarregados que precisam de cuidar de contas de outras pessoas pobres como ela.  

Bancos valem mais do que pessoas. Quando um banco enfrenta dificuldades, o Banco Central tira dinheiro não-sei-de-onde (sei sim) para ajudar. Quando um país faz diferente e deixa os bancos falirem, vira notícia e nos dá esperança. 

Estou vendo as pessoas mais pobres cada vez mais excluídas do sistema. Excluídas dos lugares, excluídas do sistema bancário, excluídas das facilidades da internet, etc. Só não percebe quem não quer, quem não tem ouvidos e empatia para entender o que acontece com o outro. 

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