segunda-feira, 19 de maio de 2014

Deixem os bancos irem à falência

Tem tanta coisa legal em inglês que eu gostaria de poder tornar acessível para as pessoaas no Brasil, que eu vou simplesmente fazer uma tradução livre. Hoje eu gostaria de traduzir o discurso do precidente da Islândia (Ólafur Ragnar Grímsson) sobre a crise econômica mundial de 2008, causada por instituições de crédito dos Estados Unidos e cujos efeitos ainda estamos sentindo.

A Islândia foi um dos primeiros países que sentiram os efeitos da crise econômica. O que levou seus bancos à falência, quebrando completamente seu sistema econômico. Um ano depois, o vulcão Eyjafjallajökull entrou em erupção, cobrindo o país em cinzas. Mesmo com tudo isso, a Islândia já vem se recuperando da crise. Mas o curioso é que o país conseguiu isso com medidas que vão de encontro aos procedimentos padrão de recuperação adotados por outros países. Abaixo está o discurso do Presidente Grímsson publicado pelo blog Upworthy

"Existem, obviamente, muitas razões pelas quais a Islândia tem se recuperado mais rápido e com mais eficiência do que qualquer outra nação européia que sofreram os efeitos da crise econômica. Mas existem duas dimensões fundamentais na forma como nós agimos diferentemente em relação aos outros.

A primeira dimensão é o fato de que nós não seguimos as ortodorxias predominantes do mundo financeiro ocidental dos últimos 30 anos, chamado de Consenso de Washington. Por exemplo, nós deixamos os bancos privados irem à falência. E eu nunca entendi o porquê que os bancos são tratados como as igrejas sagradas da economia moderna e não são permitidos falir. Em segundo lugar, nós não introduzimos as mesmas medidas de austeridade que têm sido praticamente obrigatórias em vários outros países. Nós tentamos proteger o sistema de saúde, o sistema de educação e o bem-estar das pessoas com as menores rendas em nosso país. Nós introduzimos controles capitais e nós deixamos a moeda perder valor. E nós tomamos várias outras medidas que não são consideradas ortodoxas em comparação com as recomendações prevalecentes dos últimos 30 anos.

Mas a segunda dimensão se dá ao fato de que por algum motivo nós tivemos a sorte de perceber que isso não foi apenas uma crise financeira. Isso foi também, pela primeira vez na memória modena, uma intensa crise poítica, democrática, social e até mesmo uma crise de responsabilidade. E ao menos que você introduza reformas em todos estes níveis e também nas políticas econômicas certas, você nunca seria capaz de galvanizar a nação e seguir adiante. E várias pessoas tendem a esquecer que uma economia não é apenas um conjunto de associações entre instituições financeiras e empresas e assim por diante. Uma economia é fundamentalmente uma comunidade de pessoas. E ao menos que as pessoas se sintam confiantes e tenham uma visão e o desejo de seguir adiante, não importa qual o tipo de políticas você tente implementar, você nunca seria capaz de ser bem sucedido.

Na minha opinião, estas duas dimensões são a razão pela qual, apesar das dificuldades obviamente, a Islândia está hoje numa condição muito melhor que qualquer um esperaria há cinco anos atrás, incluindo nós mesmos."

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