segunda-feira, 21 de abril de 2014

Uma resposta de outro mundo

Hoje vou fazer algo diferente, vou simplesmente traduzir um video em ingles que contém uma resposta fantástica a uma pergunta mal feita. De acordo com o blog Upworthy, o secretário do tesouro da universidade Harvard, Lawrence Summers, uma vez sugeriu que diferenças genéticas poderiam explicar o fato de que há menos mulheres cientistas do que homens cientistas. Seguindo essa comentário, um homem pergunta: "what's up with chicks in science?" (Qual é a das meninas na ciência?). Essa foi a resposta de Neil DeGrasse Tyson:

"Eu nunca fui uma mulher (risos), mas eu tenho sido negro a minha vida toda (mais risos) ... estão me permita talvez lançar alguma luz a partir do meu ponto de vista (...) Porque há vários problemas sociais semelhantes relacionados ao acesso a oportunidades iguais que nós observamos na comunidade negra, assim como na comunidade feminina, em uma sociedade dominada por homens brancos. E eu vou ser breve porque eu quero dar oportunidade para mais perguntas.

Eu soube que eu queria estudar astrofísica desde que eu tinha 9 anos de idade. Desde a minha primeira visita ao planetário (...) Então eu pude vivenciar como o mundo ao meu redor reagia às minhas aspirações. E tudo o que eu posso dizer é que o fato de que eu queria ser um físico e um astrofísico foi sem sombras de dúvidas o caminho de maior resistência às forças da sociedade.

Toda vez que eu expressava esse interesse os professores da escola diziam: "você não prefere ser um atleta?". Eu queria me tornar algo que estava fora do paradigma da expectativa das pessoas que estavam no poder. Felizmente, o meu interesse no universo era tão profundo, tão abundante e tão rico que a cada bola curva atirada na minha direção [alusão ao baseball], a cada cerca construída na minha frente, a cada colina que eu tive que escalar, eu simplesmente pegava mais impulso e continuava em frente.

Agora aqui estou. Eu acredito que eu sou um dos cientistas mais populares do país. E eu quero olhar para trás e ver onde estão os outros que poderiam ter se tornado o que eu sou hoje. E eles não estão lá. E eu me pergunto qual é o perigo no caminho que por acaso eu sobrevivi mas que outros não conseguiram? Simplesmente devido às forças da sociedade que os impediram a cada curva do caminho. A cada curva do caminho.

At every turn! At every turn!

Ao ponto de que eu tive seguranças de lojas que me seguiam enquato eu andava pelas lojas, presumindo que eu era um ladrão. Eu saí de uma loja uma vez e o alarme disparou. Os seguranças então vieram correndo na minha direção. Eu passei pela porta ao mesmo tempo que um homem branco passou. E aquele cara foi embora com as coisas roubadas, sabendo que os seguranças iriam parar a mim e não a ele. Um golpe bem planejado, uma forma interessante de explorar essa situação. As pessoas deveriam fazer isso mais frequentemente (risos).

Portanto, a minha experiência pessoal me diz que quando você não encontra negros na ciência e quando você não encontra mulheres na ciência é porque estas forças da sociedade são reais! E eu tive que sobrevivê-las para poder chegar onde eu cheguei. Então antes que comecemos a falar sobre diferenças genéticas, nós precisamos pensar em um sistema onde existam oportunidades iguais. Quando esse sistema existir, aí sim podemos conversar sobre diferenças genéticas."

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