segunda-feira, 24 de março de 2014

Verdades inconvenientes

A ciência muitas vezes apresenta verdades inconvenientes. Ou seja, resultados que são contrários à crença, visão política ou interesses econômicos de certos gruos. As pessoas então rejeitam estes resultados simplemsmente porque elas não querem aceitar. Mas a ciência é assim, ela mostra as coisas como elas são, doa a quem doer.

Comumente descobertas ciêntíficas são menosprezadas com uma simples frase: “Ah, isso é apenas uma teoria.” A gente confunde a palavra teoria com a palavra hiótese, talvez pelo fato de usarmos a palavra teoria de forma coloquial no dia a dia. Como aquele seu amigo que tem uma “teoria” de que todo chinês é mimado porque na China todo mundo é filho único. Na verdade seu amigo racista tem uma hipótese. Uma hipótese pode ser qualquer idéia maluca que ainda não foi verificada cientificamente. Já teoria é a melhor explicação científica possível baseada em toda evidência existente.

Uma teoria está sempre se adaptando à nova informação. Mas isso não quer dizer que ela está errada. Por exemplo, Charles Darwin ficou conhecido por suas descobertas científicas a respeito da seleção natural. Mas já havia avanços científicos antes de Darwin e muitas novas evidências têm sido encontradas após Darwin. Um outro exemplo famoso é a teoria do Big Bang. Recentemente uma nova evidência foi encontrada. Ainda está no processo de verificação. Mas se essa nova evidência for comprovada, acrescentamos mais uma peça ao quebra-cabeça. É possível que no futuro achemos uma evidência tão forte que mude estas teorias radicalmente? Sim. Mas é muito improvável que a idéia principal destas teorias seja mudada radicalmente, porque já temos muitas e muitas evidências para suportar estas teorias. Elas são verdades científicas.

Dizer que algo é apenas uma teoria é como dizer que a gravidade é apenas uma teoria. Sim, a gravidade é uma teoria. E você não vê ninguém na rua saindo voando pelo espaço espontaneamente.

Existe muita “desiformação” por aí, especialmente nas redes sociais. Você certamente já ouviu boatos de que uma certa vacina causa autismo. Que alimentos geneticamente modificados fazem mal à saúde. Que o aquecimento global é uma farsa. Existem coisas muito mais absurdas. Algumas pessoas não acreditam que o Holocausto ocorreu. Outras não acreditam que a AIDS existe. Certas pesoas não acreditam que o homem pisou na Lua. Esses boatos causam muitos problemas. A Samantha já falou sobre o problema destes boatos sobre vacinas e eu já comentei do problema do lobby das empresas de combustíveis fósseis.

É claro que temos que ficar atentos à falta de ética de certas empresas. Fiscalizar as atividades e investigar e punir abusos movidos pela maximização do lucro. Mas isso não pode ser feito de forma a negar a ciência. Imagine o caso da engenharia genética. Nós já temos feito isso há milhares de anos. O seu cachorro de estimação é um lobo geneticamente modificado. O milho que a gente come é um pedaço de mato geneticamente modificado. Se a gente pode fazer isso cruzando espécies ao longo dos anos, porque não fazê-lo num laboratório? Imagine que a gente pudesse pegar uma mandioca, que é algo sem muito valor nutritivo, e apenas inserir um bando de vitaminas através de engenharia genética. Qual seria o impacto disso na fome no mundo?
Mas se a gente ficar espalhando que a mandioca vai fazer mal simplesmente para punir a empresa inescrupulosa que decidiu comercializar a mandioca, todo mundo perde. Porque aquela empresa não é o único grupo utilizando essa tecnologia.

Temos que aprender a filtrar as informações e entender que a ciência às vezes nos diz o que não queremos ouvir.

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