segunda-feira, 31 de março de 2014

Somos todos machistas

Esta semana o resultado de uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Apliacada (IPEA) surpreendeu até os pesquisadores. Um dos tópicos da pesquisa era: “Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”. Cerca de 65 % dos entrevistados disseram que concordam com essa frase (veja aqui a pesquisa na integra).
Logo após o resultado desta pesquisa um bando de grupo de homens começou a publicar frases de “apoio” ao movimento feminista do tipo “somos os 35%” ou “os 65% não nos representa”. Eu reconheço a boa vontade da rapaziada em ajudar o movimento feminista, mas na boa, muito ajuda quem não atrapalha. Porque sinceramente, dizer que “os 65% não nos representa” é a mesma coisa que dizer “já tava assim quando eu cheguei”. Eu cresci numa casa que as desculpas do tipo “não fui eu”ou “já tava assim quando eu cheguei” nunca colaram. Elas vinha sempre seguidas de “não interessa” e “vai limpar”.

Então os 65% não te representam? Quer dizer que em nenhum momento da sua vida você disse ou pensou ou concordou com essa frase? Ah, lindão! Nunca? Aparece um caso de estupro na TV e alguém diz: “mas também, olha a roupa que ela tava usando”. Nunca nem pensou, nem falou, nem concordou? Aposto que você também nunca disse “mulher tem que se dar o respeito”.

Mas daí eles vão dizer: “Uh, já pensei, mas hoje eu não penso mais assim”. Não interessa, somos todos machistas. O Machismo está dentro de mim e vai estar lá até o dia em que eu morrer. Eu fui criado para ser machista por uma cultura machista. Os 65% me representam sim e eu vivo uma luta diária para que eles fiquem presos num canto escuro do meu cérebro e nunca venham à tona de novo.

Meninões, ponham uma coisa na sua cabeça. Vocês são privilegiados! A Samantha já escreveu um texto chamado “homem pode ser feministas?”. Mas vocês querem contribuir para uma sociedade mais igual? Ótimo. Há muitas outras formas de fazer isso. E é fácil, basta vocês deixarem de fazer certas coisas. Vocês podem parar de chamar as mulheres de exageradas quando elas estão fazendo uma reinvidicação da qual vocês discordam. Elas podem decidir entre elas quem são as exageradas. Ninguém precisa da sua opinião. Vocês podem parar de tentar roubar a voz do movimento feminista. Quem tem que reinvindicar são elas. O seu papel é escutar.
Mas e a liberdade de expressão? Foi pro brejo quando percebeu que vocês não têm noção nenhuma do que é ser tratado diferente por causa do seu gênero. Mas vocês podem sim repreender outros homens quando eles fazem algo machista. Como aqueles caras que gostam de “elogiar” as mulheres pela rua. E principalmente, vocês podem parar de negar que vocês são machistas. Porque a solução começa com a aceitação.

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