segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Qual a causa de tanta violência no Brasil?

Qual a causa de tanta violência no Brasil? O que faz uma pessoa escolher viver à margem da sociedade? Será mesmo a principal causa a impunidade? Então uma pessoa cresce e decide que é mais fácil viver do crime do que trabalhar oito horas por dia? Tão simples! Pessoas más roubam e pessoa boas trabalham duro. Reacionários, parem de ler agora porque este texto obviamente já explorou tudo o que há para ser explorado nesta questão e o programa do Gentilli já deve tá começando. Para os demais leitores que acreditam que a complexidade humana não se resume a personagens lineares, eu pergunto: Será que sou só eu que percebo que a principal causa de tanta violência no Brasil é a desigualdade?

Um amigo uma vez disse: “O ladrão é apenas um agente cuja função é a de restaurar o equilíbrio de um sistema instável, onde o gradiente entre ricos e pobres se tornou alto demais.”

http://www.consciencia.net/pequenosdetalhes/tema/desigualdade-social/
Charge: Revista Voto (www.revistavoto.com.br)


Eu cresci na periferia e por várias vezes fui abordado por ladrões, outras vezes joguei bola com eles. Acho que conheço todas as táticas dos ladrões.Tem ladrão sociopata, tem ladrão desastrado, tem ladrão “nóia” que assalta com uma faca de fabricação caseira ou até mesmo desarmado. Porque se ele tiver uma arma ele vai trocá-la por drogas antes de tentar assaltar alguém. Este é o ladrão que assalta utilizando pressão psicológica. Um deles uma vez me disse: “você quer ver sua mãe de novo, né?” enquanto eu entregava minha única posse de valor. Um passe de ônibus. Detalhe, o ladrão fiou com pena de mim e me devolveu o passe.

Nunca me apontaram uma arma de fogo, mas já tetaram roubar meus tênnis com estilingue. Já levei tapa na cara de ladrão planejando roubar uma casa. Já levei “peaba” na testa de ladrão. Já corri de muito ladrão que queria meu boné. Mas minha família já sofreu coisas piores. Por mais de uma vez ladrões invadiram a casa de meus familiares e os fizeram de reféns por horas tantando encontrar dinheiro e jóias inexistentes. Meu primo levou um tiro durante um roubo de carro e quase morreu. Só não morreu mesmo porque estava no auge da saúde e da forma física.

Tavez se ele tivesse morrido hoje eu seria uma pessoa mais amarga querendo pena de morte e dizendo que “bandido bom é bandido morto”. Mas já que ele não morreu, eu ainda insisto em me colocar no lugar dos jovens criminosos. É fácil julgar quando se teve pai e mãe presentes que te deram amor e educação. Eu sempre tive comida na mesa, roupa limpa e passada e um teto.

Então, eu vejo a questão da criminalidade como uma expressão matemática onde a operação inversa é sempre mais difícil. Por exemplo, multiplicar é muito mais fácil do que dividir e exponenciação é muito mais fácil do que tirar a raiz. Ou seja, é fácil pereber o dano que um criminoso nos faz. Eles tomam nossos pertences ou eles nos agridem física ou psicologicamente. Mas qual é a operação inversa aqui? Será que nós não os agredimos também de uma forma que não é tão simples de perceber?

Ao contrário de muitos, eu não me importo em pagar um pouco mais de impostos para diminuir a desigualdade. Eu não me importo em pagar por métodos contraceptivos para postos de saúde. Eu não me importo em pagar por saúde, educação e moradia. Mesmo quando não são pra mim. Porque eu entendo que um mundo mais igualitário é um mundo menos violento. Tirar um pouco dos mais ricos para diminuir a miséria não é a mesma coisa que comunismo. Injustiça mesmo é dividir um país com gente mesquinha e ainda ter que enfrentar os bandidos dos outros.

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