segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Perseguindo opressores

É impressionante o número de pessoas que não entendem um simples conceito de “liberdade de expressão”. Basta que um porta-voz dos priviligiados seja criticado por suas declarações públicas polêmicas, muitas vezes até criminosas, que eles já começam a gritar: “Perseguição! Perseguição! Perseguição!

A mais nova “perseguida” é a jornalista Rachel Sheherazade. A jornalista sofreu recentemente um nota de repúdio pelo sindicato dos jornalistas e comissão de ética. O motivo foi o seu posicionamento ao defender o grupo que espancou e prendeu a um poste um adolescente acusado de furto. Mas já está rolando na internet uma petição em apoio à jornalista. A petição é baeada no argumento de que a jornalista está sendo persegida por apresentar uma opinião diferente da “opinião dominante vigente” e por um governo de esquerda autoritário que “tem como fundamento o desejo de estabelecer um discurso único, sem nenhuma brecha para divergência de opiniões.” Não faz isso, que judiação! Ela estava apenas defendendo publicamente um ato criminoso previsto por lei! Se fosse o Marcelo D2 ninguém falava nada, né?

Outro “perseguido” foi o antigo presidente da comissã de dieitos humanos, o pastor deputado Marco Feliciano. Feliciano já justificou o assassinato de John Lennon como sendo a vontade de Deus. Adiciona inclusive que foram três tiros, um em nome do Pai, um em nome do Filho e um em nome do Espírito Santo. Na verdade foram quatro tiros, por essa lógica só me basta concluir que o quarto foi por conta da casa. Alguma promoção: “ao levar três tiros por vontade de Deus, o quarto é gratuito! Tem mais! As 100 primeiras pessoas que ligarem receberão também este exclusivo protetor solar 6000 contra o fogo do inferno!”. Digam se não é apenas alguém apresentando uma opinião diferente da opinião dominante vigente? O pastor deputado declarou também que a miséria que assola o continente africano é o resultado de que "Africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé", se isso não é racismo, e portanto crime previsto por lei, eu é que não entendo essa história de liberdade de expressão.

Um fato interessante sobre feliciano é que ao mesmo tempo que ele ataca a fé de outros cristãos, ele consegue convencer os mesmos cristãos que as “perseguições” sofridas por ele são na verdade perseguições a todos os cristãos. Gênio! Mas na verdade, muitos cristãos não receberam o memorando de suas igrejas, por que já vi muita gente defendendo Feliciano por ser um homem de fé que leva a palavra de Jesus quando suas próprias igrejas já manifestaram repúdio público ao pastor (clique aqui e aqui para checar se sua igreja repudia Feliciano). Quer dizer, feliciano é “perseguido” até por outros cristãos.

Em terceiro lugar na lista de privilegiados opressores “perseguidos” de hoje estão empatados o pastor deputado psicólogo Silas Malafaia e a psicóloga Marisa Lobo. Ambos foram “perseguidos” pelo Conselho Federal de Psicologia por suas alegações de que a homossexualidade é uma doença e por insitir em uma “cura gay”. Segundo a comunidade dos psicólogos, com apoio da Organização Mundial de Saúde e embasados em décadas de pesquisa, a homossexualidade é uma expressão da sexualidade humana. Portanto, nenhum psicólogo pode oferecer cura a algo que não é uma doença. Quer dizer, a comunidade de profissionais que são especialistas no assunto criaram uma regra. Malafaia e Lobo quebraram essa regra. Nada mais lógico do que sofrerem as consequênias. O que eu chamo de justiça eles chamam de perseguição.

Qual a semelhança entre estas quatro personalidades públicas? Todos se fazem de coitados após proferirem seus discursos intolerantes. Mas a verdade é que ninguém persegue quem prega o amor e a igualdade.
http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Bethlehem_Wall_Graffiti_1.jpg
Foto de Pawel Ryszawa
Dizem que a melhor estratégia do diabo foi convencer o mundo de que ele não existe. Pois bem, eu acho que a melhor estratégia dos opressores é a de convencer o mundo de que eles são na verdade as vítmas. Portato, aqui vai um recado aos intolerantes que se escondem atrás da liberdade de expressão. A sua expressão termina onde a expressão do outro começa. Não passarão!

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