quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Feminicídio

Esse é um post de recortes, cheio de materiais que li recentemente para me informar sobre um assunto muito sério: violência contra a mulher. Bom, como mulher não preciso ir longe para ver isso acontecer. Amigas, colegas e até desconhecidas já me contaram de histórias de horror. Desde criança, as meninas aprendem que alguns homens são perigosos. Que devemos evitar locais escuros, que devemos evitar certos tipos de roupas, que devemos evitar certos comportamentos, etc. E se algo acontecer com você, inevitavelmente vão te culpar.

Só que eu queria estatísticas. Para algumas pessoas (normalmente homens), essa história de violência contra mulher é exagero, é uma história distante, que talvez aconteça no Afeganistão, no México ou talvez numa favela. Sim, muitos homens brancos de classe média afastam os problemas sociais de sua zona de conforto, de sua esfera de relacionamentos. Sendo assim, para eles o problema não existe.

Já cansei de ler textos sobre o assunto e quando chego na parte dos comentários (é, os comentários...), leio todo tipo de barbaridade. As mesmas barbaridades que já ouvi colegas mencionarem. Quando é um caso de estupro, tentam culpar a mulher ou minimizar o fato. Quando é um caso de agressão, dizem que a mulher mereceu. Quando a cantora Rihanna foi agredida por seu então namorado, Chris Brown, li muita gente que defendeu o sujeito, sob o pretexto de que Rihanna era "muito saidinha". Para alguns, é perfeitamente justificável um homem agredir uma mulher em algumas circunstâncias: traição, suposta traição, roupa curta, ter amigos, ser gentil com um colega, etc.

Em meu post anterior que eu tenho um hábito estranho de me arrumar e deixar a TV ligada. E nesses 30min em que me arrumo, eu diria que todos os dias, ouço pelo menos uma notícia sobre a morte de uma mulher. As estatísticas mostram que é mais do que isso. Um estudo do Ipea mostrou que a cada 1h30min, ocorre um feminicído no Brasil. Li recentemente no site da Agência Patrícia Galvão de cada 10 brasileiros, 6 conhecem pelo menos uma mulher que foi vítima de violência doméstica.

Além disso, o ambiente doméstico é bem mais perigoso para as mulheres do que para os homens. O Anuário das Mulheres Brasileiras de 2011 mostra que dentre as mulheres que foram assassinadas no Brasil naquele ano, 28,4% morreram em casa, em contraponto a apenas 9,7% do total de homens assassinados. 

Aqui usei o termo feminicídio (termo este que nem o corretor ortográfico do meu editor de textos não reconhece!) porque é muito diferente do homicídio tradicional. O feminicídio é um homicídio motivado por um conflito de gênero. Ou seja, a mulher morre por ser mulher. Normalmente o assassino é um homem, principalmente um parceiro ou ex-parceiro e em situações de abuso familiar. Normalmente o crime é 'anunciado': há ocorrências anteriores de agressão física e/ou sexual, de perseguição e de ameaças.

 E recentemente também vi um mapa assustador:.

Clique no mapa para ampliar.

O mapa acima mostra os níveis de segurança física para as mulheres em todos os países do mundo. Repare que no mapa, não existe lugar do mundo na cor branca (onde as mulheres estão completamente seguras, de acordo com a escala). A insegurança está em todos os lugares. Os níveis de segurança são um pouco maiores em alguns países (destaque para a Europa Ocidental). Na América do Sul, a Argentina e o Chile são mais seguros que o Brasil. 

Eu vi o mapa neste artigo da Wikipedia, que fala especificamente de violência contra a mulher. É um excelente artigo para educar homens e mulheres. Muitas vezes, nós mulheres nos deixamos dominar pela visão do patriarcado. Isso não pode acontecer, precisamos ler, nos educar e lutar por um mundo mais justo e seguro para todas nós.

Os dados deste mapa são do WomanStats.org, que é um projeto organizado por pesquisadores acadêmicos de diversas instituições, com o objetivo de fornecer estatísticas sobre a desigualdade de gênero e a violência contra a mulher em todos os países do mundo.  

Peço que todos os homens que estão lendo esse texto façam esse exercício de observação nos noticiários. Veja quantos casos de assassinatos existem e percebam como normalmente são os assassinatos contra os homens (latrocínio e crimes relacionados ao narcotráfico, principalmente) e os assassinatos contra as mulheres. Homens não morrem por que são homens. 

Além disso, pense nas mulheres que você conhece e que já foram vítima de violência. Tenho certeza que todo mundo conhece pelo menos um caso, nem que seja daquela vizinha que se mudou há alguns anos ou daquela colega de trabalho do outro setor.



Nenhum comentário:

Postar um comentário